Jericoacoara

Antes de escolher um destino de férias, principalmente se é um destino praiano, deve-se observar o "praiômetro" do lugar. Eu só fiz isso depois de comprar as passagens e aí só me restava rezar muito para Santa Clara clarear e não é que clareou?!!! Não em 100%, mas o suficiente para curtir tanto praia quanto descansar e ainda consegui os baixos preços da baixa temporada.

Logo, tome nota, se quer dias ensolarados completos, abril e maio devem ser riscados do calendário.

Jericoacoara é uma das praias mais famosas do Ceará não à toa e acredito que isso se deve muito ao acesso somente por 4x4 e também a alguma magia que faz com que o tempo passe um pouco mais devagar. Optei pelo modo tradicional de chegar ao destino pela Fretcar, uma empresa de ônibus que faz o trajeto Fortaleza x Jijoca  e depois de Jijoca x Jeri. As passagens podem ser compradas pela internet, mas o voucher deve ser trocado pelo bilhete de embarque, no aeroporto eles tem uma loja para tal. Indo mais de duas pessoas, eu recomendaria alugar um carro popular, deixar em um estacionamento em Jijoca e pagar o pau de arara até Jeri por fora, porque empataria o valor e economizaria umas horas de estrada, pois o ônibus vai se arrastando e é claro, se fotografar, teria autonomia para umas clicadas no caminho. 

Chegamos em Fortaleza meio dia e seguimos para o Hotel Praiano, que escolhi pela comodidade de estar no local onde o ônibus para Jeri para na Avenida Beira Mar. E então fomos dar uma volta por Fortaleza, começando pelo Dragão do Mar, um centro cultural que tinha inaugurado quando estive pela última vez na capital do Ceará, ou seja, há vinte anos.  Havia lido sobre restaurantes regionais no entorno, mas todos estavam fechados em pleno sábado. Na verdade, achei tudo muito abandonado e senti cheiro de insegurança no ar e então pegamos um táxi para o Rio Mar shopping, almoçamos por lá e pegamos um cineminha. Me senti mesmo em uma violenta cidade grande. À noite, fomos à famosa feirinha nada interessante em frente ao hotel, comemos uma pizza e voltamos para o hotel.

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O dia de ida à Jeri é praticamente considerado zero. Daria até para fazer uma caminhada até a Pedra Furada ou assistir ao pôr do sol do alto da duna, mas o tempo estava bem nublado e ficamos fazendo nada no bar molhado da piscina, acompanhados de Bohêmias geladas.  Eu olhei muitas pousadas até escolher a Kanaloa, que ganhou por não estar longe do centro, mas também não muito perto e pelo preço que não estava absurdo e foi uma admirável surpresa, com seus quartos amplos e silenciosos, ar condicionado split e super gelando, frigobar, banheiro com muita água, café da manhã ótimo incluindo tapioca e omelete, atendimento agradável e a piscina convidativa, algo inédito porque normalmente não uso.

Eu vi em alguns blogs alguns depoimentos frustrados quanto à Jericoacoara, que é sim superestimada, uma vez que temos no Brasil alguns lugares mais acessíveis que são muito mais interessantes, mas eu que gosto de comprovar e normalmente tiro todo o proveito de onde quer que eu vá, digo que não me arrependo de ter colocado o pin dela no meu mapa. As praias não são de areias brancas e águas claras, mas em compensação tem lindas pedras moldadas pela erosão e vegetação abundante que inclui cactus bem grandes e tem também, assim como no Maranhão, piscinas entre as dunas com água pluvial e lagoas verde esmeralda, logo fazer os passeios é mandatório.

Eu já havia feito orçamento prévio para os passeios e tinha ideia de preço, no pau de arara entre Jijoca e Jeri, há um guia que também acaba oferecendo os passeios para os dias seguintes e o valor mais barato (Contato do whatsapp: Boy, isso mesmo o nome é Boy! Tel.: 88 99713-1004). 

Litoral leste: é o passeio mais conhecido porque engloba os principais pontos turísticos da área de preservação: Árvore da Preguiça, Lagoa do Paraíso e Lagoa Azul. É na Lagoa Azul que o tempo de parada é mais longo, nosso guia nos levou primeiro para uma barraca menos badalada, mas que também tem as redes dentro d'água, restaurante e bar. Se o que interessa é curtir o banho de água doce e tomar uma cerveja gelada, é esse o lugar! Eu, particularmente, não gostei do almoço e indicaria comer uns beliscos, pular a refeição e comer nos bons restaurantes da vila, mas só vivenciando para aprender. Depois, paramos meia hora no Alchymist Beach Club, na mesma lagoa, mas com uma estrurura "mais caribenha", cuja long neek era exatamente o dobro da primeira parada. Não preciso falar mais nada, não é?!

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Litoral oeste: é o passeio menos famoso, com destino à Tatajuba, possível de buggy, que foi um pouco mais curto pois estávamos na lua nova e com isso uma mudança no horário das marés. Passa primeiro pelo Parque Nacional dos Cavalos Marinhos, onde você os vê através de um copo que os barqueiros usam para mostrá-los aos turistas (pago a parte e super desnecessário). A segunda parada é Mangue Seco, que rendeu fantásticas fotos devido às raízes expostas que dão um ar sinistro ao local, seguindo pelas dunas (que lembra sim as dunas do Maranhão), a terceira parada é em uma piscina de águas da chuva, que foi o local que mais gostei e depois seguimos para a Lagoa de Tatajuba, onde espertamente ficamos só na cerveja e no banho e almoçamos em Jeri.

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Fora dos roteiros, o cartão postal, a Pedra Furada, é uma parada obrigatória. No final da Rua do Forró há uma trilha que ultrapassa o Morro do Serrote, são 2Km, o que não é muito, apesar da areia fofa tornar os 2Km uns 6Km. Fomos fracas e encaramos uma charrete! Fotografar a famosa pedra é uma missão impossível, tive que esperar o sol subir mais, o que afugentou os turistas. Foi um teste de paciência com a minha eterna irritação com o modismo da selfie. 

Almoçamos uma deliciosa moqueca de arraia no Restaurante do Alexandre e andamos pelas ruas e becos da vila, parando para um sorvete, para um café e enfim conseguimos o fim de tarde pefeito na Duna do Pôr do Sol.

Tivemos a manhã livre no dia do retorno e fomos à Pedra Furada pela praia. Pura sorte, pois só é possível no horário certo da maré. Pela praia é muito mais agradável que pelo Serrote. Nessa manhã, as libélulas estavam ainda em maior população. A linda presença delas é algo fora do comum!

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Onde comi:

Naturalmente - Creperia que fica na praia, mas bem poderia estar na França. Massa fininha e crocante com decoração aconchegante e no dia que fui tinha um músico ótima na guitarra que ia de Bob Marley à Mamonas em ritmo próprio.

Restaurante Leonardo da Vinci - O restaurante é bem bonitinho, no centro movimentado da vila. Comi apenas pizza, mas tive a impressão que as massas seriam uma boa pedida.

Rústico e Acústico - Almocei duas vezes nesse restaurante, que além de comida boa e com preços bem razoáveis e um destaque para o atendimento fofo de um dos garçons que também faz umas caipirinhas fantásticas. Pedi que fizesse uma mistura de limão com kiwi fora do cardápio e ele fez sem problemas e ficou DELICIOSA!!!! Sem falar que o lugar é muito bonitinho com suas toalhas de crochê!

Kafila - Faz esquecer qualquer beirute que tenha comido na vida. Simplesmente fantástico.

Restaurante do Alexandre - Fica na beira da praia, excelente para o almoço, com ótimo custo x benefício. 

Arredores de Fortaleza

As praias de Fortaleza não são propícias ao banho, então optamos por fazer os passeios para praias fora da cidade e aí eu fui naquela de "turistona" mesmo com a StyloTour, que presta um serviço bom: carro confortável e motorista e guias bons (apaixonada pelo Junior, mega divertido), mas é aquilo né... restaurantes caros em estilo venda casada e passeios de buggy ide, mas apesar de corrido foram bons passeios: Três Praias (Morro Branco, Fontes e Canoa Quebrada) e Lagoinha (passeio de buggy, catamarã e pau de arara completamente dispensável).

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