Madri

E mais um pedacinho da Espanha para comprovar que é, até o momento, meu país preferido na Europa e que tenho certeza que vou voltar. Madri seria só meu local de chegada na conexão de seis horas para Marrakech e na volta três dias completos, que ficaram só em dois devido ao cancelamento do meu voo do Cairo. 

Chegamos às 7 da manhã e já tínhamos programado que só sairíamos do aeroporto se a imigração fosse rápida e sem stress. E foi. Em meia hora estávamos liberados. As malas foram diretamente para o Marrocos e só com uma mochilinha rodamos até bem, curtindo aquela temperatura de 5 graus e a manhã super nublada. Compramos o bilhete turístico de um dia (8,40 euros incluindo a tarifa de ida e volta do aeroporto) e seguimos direto para a Plaza del Sol, onde tomamos um café, fomos até o Ponto Zero de las Carreteras, a famosa estátua do urso e o madronho, Plaza de las Cibeles, Gran Via e Puerta de Alcalá, tudo muito corrido para que meu amigo tivesse oportunidade de ver o que desse, já que eu voltaria por Madri, mas ele não. Do centro, pegamos o metrô para o Santiago Bernabeu e aproveitamos o climão do lado de fora do estádio, já que estaria rolando mais tarde um jogo decisivo do Real Madri e Paris Saint Germant. Voltamos ao aeroporto com folga para passar na imigração de novo e pegarmos o voo para Marrakech.

Toda essa loucura só foi possível pelo fantástico serviço prestado pelo Metrô. Chegamos no aeroporto pela Ibéria, no Terminal T4S, onde passamos na imigração. Nesse terminal, é necessário pegar um trem gratuito até o terminal T4, que circula em intervalos de 10 minutos. No T4 há uma saída muito bem sinalizada para o metrô, onde pode-se comprar o ticket nas máquinas de auto atendimento (super auto explicativas). Previamente eu havia baixado o app MetroMadrid e as doze linhas e suas conexões foram facilmente desvendas. No meu retorno à Madrid, fiz tudo a pé ou de metrô.

Fiquei hospedada no Espahotel, localizado na Granvia, próximo à saida Santo Domingo da linha 2 do metrô. Não foi minha escolha,  mas com o cancelamento do voo no Cairo, fiquei sem bateria no celular e não pude avisar ao hostel que tinha reservado (pela metade do preço) que não chegaria para a primeira diária, logo, quando cheguei tinha dado "no show" e não haviam mais quartos (eu já havia pago, mas ainda assim não teve negociação pra ficar). Chovendo, à noite,  com mala e cansada depois de mais de 14 horas em dois voos e conexão, eu escolhi o primeiro hotel que conseguiria pagar ainda que fora do orçamento.  Bem localizado, limpo, com um excelente aquecimento, foi como encontrar um oásis. Nessa noite, fiquei uma boa hora na banheira tipo canja e saí para comer uma pizza nas redondezas e ainda consegui fazer umas comprinhas na Primark.

Com só dois dias eu tive que me organizar e para tal eu contei com a previsão do tempo disponibilizada pelo Google e que foi impecável nos detalhes. No primeiro dia, o sol só daria o ar da graça entre 11:00 e 15:00, portanto optei por começar o dia com o Museu del Prado e finalizar com o Museu Reina Sofia e fazer as áreas ao ar livre no meio para fotografar com boa luz, praticamente fazendo tudo a pé, usando o metrô só para as maiores distâncias. 

Museu del Prado - Cheguei às 10, na hora de abertura do museu, assim, evitei as famosas gigantescas filas e consegui transitar pelas salas mais vazias sem muito problema. Previamente já havia escolhido o que ver: As Meninas - Velasquez , as famosas pinturas de El Bosco El Jardin de las delicias e La mesa de los pecados capitales, El caballero de la mano en el pecho de El Greco, o fantástico retrato de Maria Tudor e o andar dedicado à Goya e ainda consegui visitar a exposição temporária de Fortuny (caracas, eu não o conhecia e gamei nas sombras!). Segui minha intuição e ao comprar o ticket, comprei junto o guia em português (que nessa dobradinha dá um desconto de 10 euros).

Museu Reina Sofia - Depois de rodar a cidade toda, cheguei ao museu finalzinho da tarde e sem saber entrei gratuitamente. Todos os museus tem horários gratuitos. A coleção permanente tem seu ápice no Guernica, uma das mais famosas obras de Picasso, pintada em 1937 em uma tela de 349 cm de altura por 776 cm de largura, foi pintada como uma declaração contra guerra, um ícone da Guerra Civil Espanhola. Guernica é a cidade basca que sofreu um massacre, através de um bombardeio aéreo por caças alemães em apoio ao General Franco. Com a morte de Franco, depois de 40 anos de exílio, a obra retornou ao país. Na ante sala, encontram-se os esboços que são tão fantásticos quanto o quadro por inteiro.

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Fora os museus e bater perna pelas ruas e ainda me atrevi a ir à Toledo na manhã do meu dia de retorno (optei por um dos tours vendidos nas bancas de jornal), mas Toledo merecia muito mais, uma cidadezinha medieval muito da linda!! 

Como estava hospedada na Gran Via, desci em direção à Plaza Espanha e fiquei lá boquiaberta com aquele monumento à Cervantes, ao lado da sua obra prima: Quixote e Pança, mais adiante o Templo Dubod (presente do Egito à Madrid) e o Palácio Real. Retornei pela mesma Gran Via, chegando a Porta do Sol e à famosa estátua do Urso e o Madroño (que nem é grande quanto eu imaginava), que a lenda diz que é uma fêmea de urso  e que representa a constelação da Ursa Menor, assim como a fertilidade. Ali pertinho está a Plaza Mayor (escondida por trás de um beco) e do outro lado a pequena rua (Pasadizo de San Gines), encontra-se a Chocolateira San Gines, que merecidamente, desde 1894, engorda os madrilenhos e os turistas com chocolate quente e churros (as filas são punks, mas há uma portinha para venda para viagem).

Em suma, eu fiz milagre com o pouco tempo, pois ainda fui ao Parque do Retiro e fiquei umas duas horas curtindo o local (até que o vento de inverno me fez lembrar de pegar o rumo de um local fechado), comi um maravilhoso sanduba de jamón no  Mercado San Miguel e ainda fiz umas comprinhas.

Mas Madrid me deixou um gostinho de quero mais, até mesmo porque tem várias cidades interessantes ao redor. Ficará pra próxima! Assim que o Real estiver um pouquinho mais próximo que o euro.