Salvador, Barra Grande e Itaparica

Escapada boa para ver o que a baiana tem... na verdade ver o que a baiana tem de novidade, porque deve ter sido minha vigésima viagem, mas dessa vez com o propósito de descansar ao invés de me acabar no carnaval.  

A passagem comprada em cima da hora, gerou uma adequação ruim ao meu período de férias, para não estuprar meu bolso. Ainda assim, melhor um período ruim que não ir. Podem falar mal de Salvador à vontade, mas pra mim, aterrissar naquele aeroporto é e será sempre uma carga extra na bateria. Até tentaram me irritar na hora de retirar o carro alugado, mas a irritação passou em meia hora. Paguei o dobro do previsto, me senti sim a maior cara de idiota por ter caído na propaganda enganosa e não ter me atentado para as letras miúdas, mas serviu de experiência para nunca mais usar a Locadora Foco.  

Pegamos a Av. Paralela em direção ao Centro Histórico e passando na Igreja do Bonfim. Caracas, está aí uma coisa muito irritante em Salvador: os caras que já chegam amarrando a fitinha e tentam te extorquir vendendo 10 fitas por R$ 8,00 quando no Mercado Modelo custa R$ 1,00. Não dá pra ser educada, deve-se fechar a cara e se fingir de surda e repetir 30 vezes o “não, obrigada “. Eles pediram para nascer chatos e entraram na fila umas 100 vezes. Mas vamos lá, a Igreja do Bonfim é uma visita obrigatória. A lavagem das escadarias é uma das festas mais aguardadas em janeiro. Quem vai pela primeira vez, se decepciona pois vai estar esperando as escadarias da carioca Igreja da Penha, mas espere até assistir a primeira missa: a grandiosidade se apresenta na fé do povo que vai prestar homenagem ao Senhor do Bonfim que, segundo a devoção católica, é uma figuração de Jesus Cristo  venerado na visão de sua ascensão. Por mais incrível que pareça não é o santo padroeiro da Bahia, mas é tão amado quanto à padroeira oficial: Nossa Senhora da Conceição. Fiz minhas orações, agradecendo pelo fantástico ano de 2017 que está terminando. 

Da igreja do Bonfim, seguimos para o terminal e colocamos o carro no ferry boat em direção à Bom Despacho.  Eu amo fazer essa travessia, principalmente no fim da tarde. Já chegamos em Araruba à noite e foi só correr para o abraço e curtir os dias de praia mansa, água de coco diretamente dos coqueiros do quintal de mainha e muito balanço da rede. É claro que aproveitamos o carro alugado para percorrer Itaparica e para uma chegada de três dias em Barra Grande. 

 

BARRA GRANDE 

São duas opções para chegar à Barra Grande que fica na Península de Maraú: ir de lancha através de Camamu (indo de ônibus a partir de Bom Despacho ou indo de carro e deixando o carro em um estacionamento ao custo de 25 reais/dia) ou como fiz, seguir pela BA001 até quase Itacaré e encarar 46km de estrada de barro, que não está 100%, já que havia chovido dias antes. De onde eu estava, em Itaparica, até Barra Grande, foram 245 Km percorridos em 4 horas. Pura emoção!

  

É  claro que eu recomendo ir de carro, apesar do desgaste, porque as praias da península são distantes entre si e o carro te dá autonomia e te tira da dependência de passeio com hora marcada.   

 

Como já chegamos no fim da tarde, check in feito, tomamos o rumo da Vila, à direita do atracadouro com uns 15 minutos de caminhada temos a Ponta do Mutá, o point para assistir ao por do sol. Tem vários bares no caminho, inclusive o charmoso Café de la Musique, que parece que vai ter que deixar um rim pra pagamento, mas é bem acessível.  Tomamos duas caipirinhas por 20 reais.  Bagatela, né?! 

 

Tomamos um banho e resolvemos voltar pra comer na Vila e escolhemos a Maruata Hamburgueria. Ambiente bem legal, com trilha sonora de primeira, sanduba ótimo. Super recomendo esse lugar, o atendimento também foi espetacular. 

 

A península tem as praias de fora, voltadas para o oceano e as de dentro, voltadas para a baía de Camamu. Na manhã seguinte, ainda um pouco nublado fomos a Lagoa e praia do Cassange, praia desertona com faixa larga e clarinha de areia e o mar mais movimentado. É uma praia de desova de tartarugas marinhas e há necessidade de cuidado ao caminhar na areia para não agredir os “ninhos”. Amei essa praia... sem barracas, sem gente, praia típica de quem é anti social.

De lá fomos para Taipu de Fora, praia da moda, com suas barracas estruturadas e amparada por uma cadeia de corais que permite o mergulho livre com facilidade, dependendo do nível da maré.  Gostei muito também, mas fico imaginando na alta temporada!!! Na parte da tarde fomos a Taipu de Dentro: a Vila me parece dos moradores que trabalham nas pousadas e restaurantes de Barra Grande e das praias famosas. É tudo muito simples. No caminho há um mangue que rende boas fotos dos carcarás, mas eu não levei a tele então fiquei sem as fotos. Almoçamos na Praia dos Três Coqueiros, ao som de Jauperi, pagando R$ 60,00 em uma moqueca de camarão para três pessoas... muito barato!!!! Eu acho que a barraca se chama Coco bambu. No fim da tarde, ainda rolou uma piscina no hotel porque ninguém é de ferro. Por sinal, o Hotel Terra e Mar tem excelente custo benefício e é bem pertinho da Vila. 

Saímos  ao anoitecer pra comer e a chuva nos pegou de jeito! Paramos para esperar estiar em uma tapiocaria na rua da  igrejinha. Fantástica. Eu e meu filho nos acabamos nas doces e foi aí que o botão da calça pré festas natalinas começou a abrir.  

No segundo dia, optamos pelo passeio de barco na Baía que fizemos com a empresa Princesinha e até eu que não sou muito chegada a esse tipo de programa, gostei. Saímos às 9:00 e retornamos às 16:00 passando pelas praias de dentro: com parada na Ilha da Pedra Furada, Campinho, Ilha do Sapinho e do Goró, onde paramos para o almoço e de novo a moqueca de camarão, um pouquinho mais cara, mas ainda assim super "pagável". Final da tarde de novo na Ponta do Mutá, porque não tem como cansar de ver aquela pintura no céu.

No último dia íamos retornar à Taipu de fora e parar na praia de Algodões na volta, mas choveu bastante e resolvemos pegar a estrada de barro o mais cedo possível. Ao chegarmos na BA001 esticamos mais ao sul para dar uma passadinha em Itacaré para almoçar e para comprar a sobremesa (pois é, acredite... eu fui à Itacaré há uns 8 anos e a loja de tortas em frente a Pousada da Estrela continuava lá, firme e forte e com aquelas tortas maravilhosas)!!! Comemos um PF bom, mas não anotei o nome, uma pena, porque o feijão estava bom pacas. Fica depois do fim do calçadão, em frente ao ponto de taxi. Voltamos pra Aratuba em 4 horas com uma paradinha em Nazaré pra comprar farinha. A BA001 está um tapete.

ITAPARICA

A porta de entrada da Ilha de Itaparica é o Terminal Bom Despacho, onde chegamos pelo ferry boat. Eu já fui muitas vezes, mas essa teve algumas novidades: a vila de pesacadores de Baiacu, com as ruínas da Igreja do Nosso Senhor de Vera Cruz, de 1561, onde as árvores tomaram a estrutura. Inacreditável, as fotos não conseguem dar conta do local.

Passamos também por Mar Grande, pois fomos de barquinha para Salvador e a cidadezinha está super arrumada, com a igreja reformada e é claro, fomos assistir ao por do sol em Itaparica com direito à acompanhar a primeira caminhada contra a intolerância religiosa. 

SALVADOR

Salvador foi a primeira capital brasileira, entre 1549 e 1763. Turisticamente, revela-se pela beleza do conjunto arquitetônico e cultural, com enfâse para a música, culinária e a religião. Comecei minhas andanças, ao chegar pelo Porto, vindo de Mar Grande, pela Praça Visconde de Cayru e o Mercado Modelo (onde o artesanatado é mais barato que as lojinhas do Pelourinho).

Subi pelo Elevador Lacerda, até a Praça Tomé de Souza na Cidade Alta. O Elevador Lacerda foi  o primeiro elevador urbano do mundo. Em 8 de dezembro de 1873, quando foi inaugurado, era o mais alto do mundo, com 63 metros. Da praça, em uns poucos minutos de caminhada, chegamos ao Terreiro de Jesus, o grande largo base do Pelourinho. Nesse largo temos de cara, a Universidade de Medicina e fiz a visita guiada à Igreja de São Francisco de Assis, relíquia barroca, banhada no ouro.

Na volta, fiquei um dia hospedada no Othon de Ondina e aproveitei o carro para rodar um pouco pela cidade, mas com apenas uma tarde só deu para ir ao Farol da Barra, ao Dique do Tororó, voltar ao Pelourinho e caminhar na Orla da Barra. Almoçamos um acarejé na Cira, no Rio Vermelho.