EGITO - Cairo e Alexandria

E não é que tem um monte de gente que sonha em conhecer o Egito, o berço da civilização? Pois é... eu conheci, mas nem estava na minha wish list, tanto que comprei minha volta do Marrocos por Madrid. Mas meu grupo, que tinha menos quatro dias de férias que eu, conseguiu uma promoção voltando ao Brasil pelo Cairo e eu acabei desviando minha rota. Afinal, a oportunidade de ter companhia poderia nunca mais acontecer, já que eu viajo normalmente sozinha, ainda mais para um país muçulmano. Assim, tivemos três dias inteiros para conhecer o básico. 

Com tudo o que lemos quando começamos a programar, diferentemente do Marrocos, optamos por um guia por todo o tempo e conseguimos um que fala português. Foi a melhor opção! Porque o Egito é para os fortes. A saga começou pela necessidade do visto, que tiramos no Consulado do Rio de Janeiro, em Botafogo. Foi rápido, levamos o passaporte, duas fotos 3x4, a carteira de vacinação da febre amarela, o comprovante da hospedagem e passagem e pagamos a taxa de R$ 115,00 (jan/2018). Uma semana depois, o visto estava pronto. Chegamos ao Cairo na madrugada e mesmo com visto, depois de passar pela imigração e aparentemente estar tudo bem, fomos parados por um policial à paisana que nos fez várias perguntas, mas o guia nos assessorou nesse momento, porque inglês com sotaque árabe é osso!

Ao sair do aeroporto, até deu a impressão da cidade ser bonita, mas isso foi só nos primeiros quilômetros, principalmente ao passar pela espetacular Academia Militar. Passando dali, a realidade começou a gritar mesmo sem ainda ter amanhecido. Confesso que eu não estava preparada e aí veio o segundo agradecimento pelo guia, que insistiu muito para que ficássemos em um hotel (porque a galera queria ficar em um hostel). Se ficamos em um hotel cinco estrelas que mais parecia duas estrelas, imagino o filme de terror que seria se tivéssemos ficado no tal hostel. Para o carro entrar no hotel há uma vistoria por um cão farejador e depois passamos individualmente pelo raio x, assim como a bagagem. O bagulho é sério.

Eu estava cansada pacas da falta de sono pelo voo da madrugada e cheguei a achar que havia sido esse o motivo de não ter curtido tanto esse primeiro dia, mas a verdade é que eu tinha muitas expectativas ao contrário do Marrocos, que me surpreendeu. Talvez o Egito se mostre espetacular em Luxor e Aswan, não sei... mas o Cairo deixou muito a desejar, pois é muito sem estrutura e sujo ao extremo. Valeu muito a experiência, mas é de dar uma tristeza enorme que não seja o lugar que povoa nosso imaginário desde a leitura dos livros de história.

O Egito tem um território de mais de um milhão de quilômetros quadrados, sendo 95% ocupado pelo deserto do Saara e uma população de 85 milhões de habitantes. O Cairo é a cidade mais populosa do país e do continente africano e o restante da população está na maioria concentrada às margens do Rio Nilo. Assim o Canal de Suez é a base da economia, além do turismo com aproximadamente 15%. Por isso, eu me surpreendi negativamente com a estrutura.  O Brasil, pelo menos, faz uma maquiagem das boas nos locais turísticos.

Dia 1 - Sakkara, Mênfis e Pirâmides

Começamos a manhã visitando Sakkara, um sítio arqueológico cujo nome deriva de um deus chamado "Soker". Parte desse sítio guarda o complexo funerário do Grande Rei Djoser com uma grande pirâmide e centenas de mastabas (túmulos dos nobres e aristocratas do Egito Antigo), que  tem partes decoradas de relevos e painés decorados com cenas cotidianas. Djoser era o fundador da dinastia III (2780-2680 a.C) e governou por aproximadamente 30 anos, embora há estudos de que tenham sido apenas 20 anos. Durante seu reino, o Egito desfrutou de muita riqueza e prosperidade e o arquiteto responsável pela construção do complexo foi Imhotep (aquele dos filmes), o grande gênio que além de arquiteto era físico e astrônomo. Era o supervisor de todas as obras reais, também primeiro ministro e Alto Sacerdote.

De Sakkara seguimos para Mênfis e é inacreditável que a grande cidade do passado tenha se tornado um lixão a céu aberto. Há partes do rio que não aparece a água de tanto lixo boiando. Mas a grande atração está no que sobrou do Templo de Ptah, que só está preservado porque se tornou Patrimônio Mundial da Humanidade em 1979, o museu guarda uma grande quantidade de esculturas que representa Ramsés II. Na única parte coberta há um colosso do faraó esculpido em alabastro que tem 13 metros de altura e como foi encontrada em 1820  com os pés quebrados, é exibida deitada. O reinado de Ramsés foi o mais longo do Egito Antigo com 67 anos.

Para encerrar, fomos às Grandes Pirâmides. São fantásticas. São enormes (a maior delas, Queóps tem 140 metros de altura). São absurdamente emocionantes. ´São coladas na cidade (eu tinha em mente vê-las perdidas na grande imensidão do deserto). As três pirâmides são túmulos dos faraós Queóps, Quefren e Miquerinos, respectivamente avô, pai e neto. Há três pequenas pirâmides atrás de Miquerinos, que são os túmulos de suas esposas (monogamia para quê, né?!).

 

Fechamos os pontos turísticos do dia com a Esfinge de Gizé, a maior estátua feita de monolito no mundo, com 73,5 metros de comprimento, 19,3 metros de largura e 20,22 m de altura. Em 1817 o primeiro processo de escavação desenterrou o peito da esfinge e entre 1925 e 1936 foi escavado o restante deixando de fora o corpo e as patas de leão. A esfinge sim me deixou encantada!

Fechamos o dia almoçando em um restaurante de comida árabe e confesso que morri de medo de passar mal. Foram três dias tomando coca-cola, porque até da água eu tive medo! E visitamos uma fábrica de papiro para conhecer o processo de fabricação do papel das antigas. Nosso guia cheio de bom senso nos deixou cedo no hotel onde dormimos todo o sono atrasado.

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Dia 2 - Citadela, Kopto, Museu Egípicio e Mercado Khan Khalili

Nesse segundo dia conseguimos ter uma ideia do motivo de usarem o termo "cairótico" para o trânsito no Cairo. Não há um carro sequer sem um arranhado ou amassado. É um território sem lei... em determinados momentos me senti numa cena de Resident Evil. Apesar de termos saído cedo, levamos quase duas horas entre Giza e Cairo e a primeira parada foi a Citadela  de Saladino, fundada em 1176 pelo famoso líder muçulmano e foi sede do governo egípcio por quase 700 anos.  Na citadela, encontra-se a fantásica Mesquita de Mohammmed Ali, que também guarda seu túmulo. É vista de vários pontos da cidade, pois encontra-se em uma posição elevada. Foi construída entre 1830 e 1858. Essa foi a única mesquita que conseguimos entrar não sendo muçulmanos e foi aí que tivemos a terceira prova de que optar por um guia em português foi o melhor do melhor: com uma senhora aula sobre os costumes, sobre a religião muçulmana e sobretudo sobre a fé, passeando inclusive sobre o desconfortável tema dos terrorismo, até mesmo porque para os muçulmanos, eles não representam a palavra de Maomé. 

Do lado de fora da mesquita, há um enorme mirante com vista para a cidade. Tenho quase certeza que foi ali que Ivete Sangalo começou a cantar: "poeira, levantou poeira", como se toda a areia do deserto tivesse grudado nas construções. Ao fundo, na linha do horizonte, consegue-se ver as pirâmides.

Ainda pela manhã, visitamos o bairro católico, chamado Copto e visitamos a igreja que está sobre a caverna que supostamente a família sagrada se escondeu enquanto fugia da neura de Herodes, chamada de Igreja de São Sérgio e Baco. Nos arredores, muitos cemitérios, que se misturam às demais construções. Estima-se que meio milhão de pessoas, morem nas tumbas. Essas pessoas são chamadas de "mortos-vivos". Encaramos o Mc Donalds e depois do almoço fomos ao Museu Egípcio.

O Museu do Cairo é o mais importante do Egito e tem uma coleção de mais 120 mil peças encontradas nas inúmeras escavações. Foi inaugurado em 1858, a partir da coleção pessoal de Auguste Marriette, um arqueólogo francês. Em 1900 o museu foi mudado para o palácio onde se encontra até hoje na Praça Tahir. No futuro, as peças serão transferidas para um museu moderno que está sendo construído em Giza (em frente ao hotel em que ficamos hospedados (a obra até que parece até a Cidade da Musica carioca). O acervo é maravilhoso, com destaque para o salão das múmias (ingresso pago à parte),o salão com os tesouros de Tutancâmon e a bela estátua de Nefertiti. Aí tivemos o momento quatro de agradecimento por ter contratado um guia, pois o apesar de grande acervo, as peças parecem um grande amontoado, sem classificação, com legendas em placas amareladas escritas à máquina (provavelmente na década de 20), e nosso guia super conhecedor de história, foi nos ajudando a reconhecer os momentos da história nas peças.

Dentre todas as histórias, a que mais adorei foi a de Hatchepsut,  filha de Tutmosis I, que quando faleceu .a deixou como sucessora, uma vez que seus filhos homens estavam mortos. Mas não assumiu o trono logo, pois se viu obrigada a casar com um meio irmão bastardo, que politicamente foi colocado como sucessor. Quando o faraó – seu marido e irmão – morreu, seu filho ainda era muito jovem e não podia assumir o poder. Foi então que Hatshepsut se ofereceu para reinar provisoriamente, alegando que era filha do deus Amon-Rá. Portanto, era uma semideusa e teria o direito de assumir o trono, que manteve por 22 anos. 

Finalizamos o dia  no Mercado Khan el Khalili, que tem mais de 1000 anos, mas que hoje parece mais um lugar cheio de quinquilharias "made in china". 

A volta para o hotel foi penosa com mais de duas horas de engarrafamento para percorrer os 23 Km. Tomamos banho e encaramos o restaurante italiano do hotel. Eu até cogitei pegar um Uber para ir ao Nilo à noite, naqueles barquinhos... mas foi só em pensar no trânsito para desistir.

Dia 3 - Alexandria

Supostamente, o terceiro seria nosso último dia, mas tivemos voo cancelado na saída e na conexão, que fez com o que o final das férias fosse puro estresse. Chegamos em Alexandria depois de 210 Km sem engarrafamento, afinal, saindo de Giza já pegamos a auto estrada que leva à Alexandria, que na minha cabeça apagaria a sujeira e a falta de estrutura do Cairo. Ledo engano. A coisa só piorou...

Alexandria é a segunda cidade mais populosa do país,  se extendendo por 32 Km de costa mediterrânea com um porto que serve 80% das importações e exportações do Egito. Nos tempos antigos, foi uma das cidades mais importantes do mundo, fundada em torno de um vilarejo em 331 a.C por Alexandre, o Grande. Permaneceu como capital do Egito por mil anos, até que a conquista muçulmana do Egito. Ficou famosa pelo Farol (uma das sete maravilhas do mundo antigo), pela Biblioteca (a maior do mundo antigo) e pelas catacumbas de Kom el Shogafa (uma das sete maravilhas do mundo medieval), por onde nossa visita começou.

Catacumbas de Kom el Shogafa - contém um grande número de sepulturas, incluindo uma vala comum com restos de animais e humanos, que é atribuída a uma execução em massa realizada em Alexandria pelo imperador romano Caracalla em 215 dC . Os túmulos são organizados em torno de uma escada em espiral central que leva para baixo através de vários níveis. Os níveis mais baixos estão inundados , mas as áreas acessíveis nas paredes dos túmulos são amplamente decorados . Eles exibem uma fusão incomum de iconografia grega, romana e egípcia. É proibido fotografar, por isso só rolaram umas fotos de celular (em péssima qualidade, pois o lugar tem pouquíssima iluminação).

Coluna de Pompeu -  É uma coluna do triunfo romano em Alexandria, Egito, e maior de seu tipo construído fora das capitais imperiais de Roma e Constantinopla. Foi aí que nosso guia contou um pouco sobre Cleópatra, a famosa última rainha da dinastia de Ptolomeu e em como era ela inteligente, estrategista e educadíssima, por ler entre dez e doze idiomas e era famosa por conduzir encontros diplomáticos no idioma dos seus visitantes.

Biblioteca de Alexandria - Embora se saiba que a destruição da Biblioteca se deu por conta de um terrível incêndio, existe mais de uma versão sobre como o fogo começou. Uma delas, defendida por alguns historiadores da Antiguidade, culpa a Júlio César pelo evento — relatando que o romano teria incendiado embarcações que se encontravam atracadas porto durante sua invasão à cidade entre os anos de 47 e 48 a.C., e que as chamas teriam se espalhado pelo porto e chegado até a biblioteca. 

A Nova Biblioteca de Alexandria foi projetada por um jovem escritório de arquitetura norueguês chamado Snøhetta, depois de vencer um concurso,  que trouxe do passado a ideia de criar um grande centro cultural para a humanidade. A repaginação da obra, considerada como uma das sete maravilhas do mundo antigo, destaca-se não apenas pela história e iniciativa, mas por seu belíssimo design e pela utilização da luz. Foi inaugurada em 2002.

 

Cidadela de Qaitbay - Sultão Qaitbey construiu esta fortaleza pitoresca durante o século 14 para defender Alexandria dos avanços do Império Otomano . Seus esforços foram em vão já que os otomanos tomaram o controle do Egito em 1512 , mas a fortaleza manteve-se , estrategicamente localizada em um braço fino de terra que se estende para fora da corniche de Alexandria. A forma atual da fortaleza não é a original. Ela foi fortemente danificada durante o bombardeio britânico a Alexandria durante um levante nacionalista contra a hegemonia britânica em 1882 e reconstruída em torno da virada do século 20.

O mais importante desse local é que a fortaleza foi construída sobre a base existente do lendário Farol de Alexandria, que foi por terra por volta do século XIV depois de vários terremotos.

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Hospedagem - Ficamos no Cairo Pyramids Hotel, em Giza, um hotel grande, com uma manutenção um tanto descuidada, assim como a limpeza, mas que valeu pela segurança e pelo bom restaurante, já que não transitamos à noite. 

Guia turístico em português - O melhor!!! Está aí a única coisa que gostei muito... O Hassan foi um achado: nos ajudou desde o planejamento inicial pelo whatsap, passando pela recepção no aeroporto, super pontual na programação, solícito, mega conhecedor da história e divertido.

Hassan Ebrahim:

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