Buenos Aires

Começamos  a notar que estamos ficando velhos, quando os planos para o carnaval já não são mais quais blocos vão bombar nos circuitos de Salvador e a opção passa a ser um lugar mais tranquilo, para descansar nos cinco dias de carnaval.

Conseguimos uma promoção de milhas e trocamos para Buenos Aires. Enfim, consegui arrastar o marido para uma das minhas viagens. Colhi algumas dicas aqui e acolá, blogs e amigos e montei um roteiro prévio e aproveitamos ao máximo os cinco dias da capital portenha, mas ficou um gostinho de quero mais.

Vou começar pelos erros: a escolha errada do aeroporto de chegada. Saímos do RJ em voo com escala em Guarulhos, sempre um porre e chegamos em Ezeiza já às 22:00. O taxi foi uma fortuna (220 pesos, aproximadamente R$90,00). Ao voltar na quarta de cinzas, o voo partia do Aeroparque, aproximadamente 10 minutos do Centro (40 pesos). Em suma, eu devia ter feito a compra dos dois trechos pelo Aeroparque, acho que essa mistura foi a melhor opção pelos horários, mas sem dúvida foi a pior para a logística.

 

Ficamos no Centro, no Gran Hotel Argentino, um hotel muito bem localizado, que já deve ter sido muito bom, mas que deveria ser mais bem cuidado, os elevadores estiveram com defeito, faltou um frigobar nos quartos e frutas no café da manhã, mas como era rua o dia inteiro, chegando podres ao hotel, valeu o custo x benefício.

 

 

Centro e Recoleta

 

​A pé. Definitivamente a melhor opção para conhecer o belíssimo centro de Buenos Aires. Com destaque especial para o Shopping Galerias Pacífico, não tanto pelas lojas (pois compras foi meu último objetivo em BSas), mas pelo Centro Cultural Borges, no último andar. Muitas exposições de fotografias e um excelente local para tirá-las. Seguimos pela calle Florida, que em obra, não era a mais confortável para se caminhar. Muitos "agentes" de turismo nos paravam o tempo todo para oferecer pacotes para os shows de tango. Uma chateação. Seguimos até o final e dobramos à esquerda, já praticamente na Plaza de Mayo, onde visitamos a belíssima catedral de Buenos Aires e chegamos na hora da visita guiada à Casa Rosada. Lá se foi a manhã. Pegamos um taxi e almoçamos na Recoleta, um bom bife de choriço (nosso contra-filé), por um preço exorbitante.

 

Comer na Argentina não é nada barato. Beber então... Foi nesse momento que chegamos a conclusão que devíamos relaxar, pois o nosso comparativo em gastos no carnaval não existia: enquanto em Salvador, pegaríamos cinco periquetes (mini-latinhas) por R$ 5,00, a média de uma garrafa em Buenos Aires custou R$ 25,00.

 

Depois do almoço, seguimos pelas maravilhosas ruas da Recoleta até o cemitério, passando pela embaixada brasileira (por puro acidente), pelo palácio Alvear. Paramos na Igreja de Nossa Senhora do Pilar e é claro, o grandioso cemitério da Recoleta, com direito a visitar o mausoléu da família Duarte, onde Evita Peron encontra-se. O cemitério é surreal, os mausoléus são faraônicos. Pedimos ajuda à um coveiro para achar o túmulo da Evita, mega divertido e nos pediu uma Brahma para tal... sei não, mas a Quilmes é muito mais gostosa. Pegamos carona em uma visita guiada, onde muitas histórias interessantes foram contadas. Foi um dos locais que mais gostei em Buenos Aires. Eu e minha mania com os cemitérios.

 

Voltamos ao hotel, fiquei meia hora na banheira, descansamos um pouco e fomos jantar no Palermo Soho, no Don Julio, excelente recomendação do Guia 4 Rodas. Foi onde descobrimos que é muito mais barato beber vinho que beber água. Excelente carne, acompanhada de uma salada verde com kiwi (nunca imaginei que essa combinação daria tão certo). Nesse restaurante, o jovem garçom nos indicou o Maluco Beleza, mas a  balada argentina ficará para uma próxima oportunidade, porque começam muito tarde e estávamos muito cansados.

 

 

Centro, Caminito, Boca e San Telmo
 

Dessa vez, eu fui mais esperta e coloquei um tênis, fomos fazer a visita ao Teatro Colón, a grande casa de ópera de Buenos Aires, considerado um dos cinco melhores do mundo em questão de acústica. Foi inaugurado em 1908, com a ópera Aída de Verdi, depois de 20 anos de construção.

É belíssimo, com suas escadarias e colunas de mármore rosa, pisos cheios de detalhes.

A visita guiada é uma atração imperdível.

 

Sem dinheiro, continuamos andando pelas ruas em busca de um Itaú. Acabamos na Avenida Santa Fé e me lembrei de ter lido sobre a El Ateneo, um antigo teatro que foi adaptado para se transformar em uma livraria. Que lugar!!!! O café localizado no palco é uma atração a mais, delicioso e acomanhado das famosas media lunas. Muitas fotos. Aproveitei para comprar uns livros em espanhol, para dar uma incrementada no meu curso de espanhol (cumprindo uma das promessas de ano novo que era aprender um novo idioma sem desistir no decorrer de 2013).De lá, pegamos um taxi para o Caminito, uma rua localizada no bairro La Boca, é um local turístico que adquiriu um significado culturado por ter sido a inspiração de Juan de Dios Filiberto para a música Caminito de 1926. As casas de madeira e zinco, pintadas de cores quentes servem de lojinhas e bares. Há dançarinos de tango nas ruas e a música está por todos os cantos. O lugar é interessante e o chopp Quilmes geladérrimo é um excelente acompanhante para se observar o movimento.

 

Andando pela rua perpendicular por mais uns 150 metros, chegamos à La Bombonera, o estádio do Boca Juniors. A dádiva do futebol argentino. A visita guiada demora uns 40 minutos, com direito aos vestiários e simulação dos gritos e pulos da torcida. Muito legal!!!!

 

Fechamos o fim da tarde na famosa feira de San Telmo, onde as quinquilharias vendidas nas barracas é o que menos importa. O clima em si, é o que vale... renderam muitas "photostreet": samba nas ruas, aproveitando o climão de carnaval, o bom e velho tango dançado nas praças, conversas, encontros, Jack Sparrow vendendo bijuterias, estátuas vivas e a melhor cerveja do mundo.Ao retornar para o hotel, pegamos o maior temporal, que chegou a inundar algumas ruas, tal qual acontece no Rio. Comemos uma pizza ao lado do hotel e dormimos cedo.

 

Puerto Madero e Colonia de Sacramento, Uruguai.

 

Acordamos cedo e fomos a pé para Puerto Madero, passando pelas maravilhas arquitetônicas, pela Casa Rosada e pelo Ministério da Defesa. O bairro, agora nobre, virou o centro financeiro e gastronômico da capital, após um processo de revitalização. (Creio que o projeto Porto Maravilha da Prefeitura do Rio de Janeiro está querendo ir na mesma direção).Andamos todo o porto até descobrir onde ficava o terminal do Buquebus, responsável pelo transporte até Colonia de Sacramento, cidadezinha do outro lado do Rio de la Plata, colonizada por portugueses. Rodamos por lá, visitamos a igreja, o farol, mas os museus estavam fechados. Experimentamos a deliciosa cerveja Pilsen e voltamos a Buenos Aires à noitinha.Terça -  Temaikén.

 

Ficamos na dúvida em ir ao Zoo Lujan ou ao Temaikén e acabamos optando pelo último pelos comentários quanto à estrutura. Boa pedida, o parque onde funciona um zoológico é muito organizado, limpo e barato. Pegamos o metrô até Plaza Itália (pela linha verde), lá pegamos o ônibus linha 60 (Escobar), que faz ponto final no estacionamento do parque. É longe, mas muito fácil. E economizamos muitos pesos indo de ônibus, que por sinal é bem confortável, com ar condicionado (estava dando uns 35 graus em Buenos Aires... um calor infernal).

 

E quanto ao show de tango? Optamos por algo mais peculiar que os mega-espetáculos: o Café Tortoni, além do lugar ser maravilhoso (o show é feito no subsolo, onde foi uma adega), foi aconchegante. Clássicos de Gardel embalaram três casais de bailarinos, acompanhados de um cantor carismático. Ótima dica do Ricardo Freire do Viaje na Viagem.

 

A noite nos rendemos ao Siga La Vaca, em Puerto Madero. Pessoalmente, a qualidade da carne argentina é inquestionável, mas eu não sou muito carnívora e gosto mais dos belisquetes das churrascaria. Não fui feliz, porque o buffet não é lá grande coisa...

 

 

Palermo

Tínhamos planejado fazer o passeio pelo Trem de La Costa ao Rio Tigres, mas ainda tínhamos tantas opções pela cidade, que deixamos para uma próxima oportunidade. Fomos ao Parque Japonês, à Universidade de Buenos Aires e a Flor de Aço, além do Malba, excelente museu (mais exposições de fotografia). Na parte da tarde, fomos de metrô aos outlets, que só valeram a pena pela Kevingston, que por sinal fica longe do burburinho. O centro da cidade já tinha perdido os ares de feriadão, com engarrafamentos e buzinaços. Tomamos um café no Havana e voltamos ao hotel para arrumar as malas.


Por que tudo que é bom passa rápido?