Santiago (de novo), Atacama (de novo) e Mendoza 

Mesmo indo para um mesmo destino, o momento e a companhia fazem diferença em uma viagem. Dessa vez, Santiago e o Atacama de novo, mas incluindo os destinos inéditos: Mendoza, na Argentina e o Salar de Uyuni, na Bolívia ( veja post próprio ). Na primeira vez estive viajando sozinha e dessa vez com meu filho e amigas, o que me levou a revisitar lugares e descobrir novos, que provalvemente não foram visitados pela falta de tempo das vezes anteriores.

Chegamos de madrugada em Santiago e eu tinha reservado um quarto no Ibis ao lado da rodoviária, pois bem cedinho pegaríamos o ônibus para Mendoza, cujas passagens haviam sido compradas  pela internet com uma enorme antecedência para poder ir naqueles dois lugares frontais do segundo andar. Mas como planejar não é sinônimo de sucesso, ao chegar no hotel, o recepcionista já nos avisou que as viagens para a Argentina estavam suspensas pelas chuvas que provocaram quedas de barreiras na estrada. Segui para a rodoviária e troquei as passagens para dois dias depois,  conforme a data prevista de abertura. Assim, mudamos para um flat no Centro, que consegui pela internet e de mochilas nas costas pelo metrô, seguimos novos rumos.

A opção pelo Centro foi fantástica, com o melhor meio de transporte do mundo: os pés! Depois de organizarmos as coisas no flat, saímos em direção ao Museu de Bellas Artes, que abrigava uma exposição dos meus muralistas mexicanos preferidos: Orozco, Siqueiros e Rivera. Fomos andando pelo Rio Mapocho até o Mercado Municipal, onde almoçamos e tomamos a deliciosa cerveja Austral, continuamos andando até que encontramos a Plaza de Armas e a Catedral, depois paramos no Centro Cultural do Palácio La Moneda e ficamos mais de uma hora em na exposição Samurai: armaduras do Japão. No finalzinho da tarde, paramos em um café que virou nosso point e não saímos à noite, estávamos podres de cansaço.

No dia seguinte, optamos por conhecer uma das vinícolas nas proximidades de Santiago, de metrô, na maior facilidade e baixo custo: a Cousino Macul, que é uma das mais antigas bodegas chilenas e ainda familiar. O fundador, Luis Cousiño era de origem portuguesa, sua mãe morreu no parto e seu pai casou novamente e Luis se casou com Isidora, uma das enteadas de seu pai. Luis também morreu precocemente e foi Isidora que comandou o império da família que além da vinícola também incluía uma mineradora. Eu já havia feito a reserva pelo site e o tour foi por um rapaz paranaense fofo que resolveu se estabelcer no Chile para estudar vinhos e se tornar sommelier. Almoçamos no Mamute (o Outback tem muito a  aprender) e fechamos o fim de tarde no Cerro Santa Lucia.  À noite o máximo que fiz foi conseguir o contato de um guia turístico indicado por uma amiga para fechar o passeio ao Vale Nevado em um dos dias seguintes. Sim, fiz o passeio, mesmo sabendo que não tinha um floco de neve no ar...

Pois é, terceira vez no Chile e nada de neve, de novo. Mas a pergunta que sempre fazem é: vale? Sim, vale!!! O esquema foi aquele de sempre: van, outros turistas e um motorista gente boa.  O caminho já é o que há, com uma estrada que sobe 3000 metros em cerca de 30 Km. Logo, na primeira fase são 40 curvas até Farellones e mais 17 até o Valle Nevado, boa parte de curvas em 180º, aquela lindeza de estrada em desenhos do sinal do infito!! Não teve teleférico, não teve passeios à cavalo, nem nada funcionando, mas demos uma caminhada boa com uma cadela que nos recepcionou. As cordilheiras ali tão próximas dá vontade de pedir um café no bar e ficar ali conversando por horas e foi o que fizemos.

No retorno, já pedimos ao motorista para nos deixar no Costannera Center, para tentar antecipar a passagem na Lan para o Atacama, já que estávamos quase desistindo de ir à Mendoza. Aquele mirante é fantástico!!! A visibilidade estava em 50% e já adorei, imagino em um dia com tempo aberto total. Almoçamos por lá mesmo, no Crepes & Waffles e com direito à famosa colombiana limonada de côco. Meodeos, porque ninguém aparece com a ideia e a grana de abrir uma filial dessa franquia no Rio de Janeiro?!

No último dia, depois de ir à Mendoza, Atacama e Uyuni, passamos mais um dia em Santiago e então optamos por ir à Concha y Toro, também de metrô. Para ambas, deve-se pegar a linha azul marinho e descer na estação Las Mercedes para a Concha y Toro, para a Cousino Macul a mais próxima estação de desembarque é a Quilin. O preço do táxi das estações até às vinícolas não passa de R$ 10,00.

 

 

 

 

Mendoza

Pegamos o primeiro metrô até à rodoviária (às 6:10 da manhã, ruas ainda no breu). Com a mudança nas passagens, perdemos os assentos frontais, mas pelo menos conseguimos ir do lado direito, para ter a vista privilegiada das imensas curvas em zig-zag na subida dos Andes. A viagem é muito interessante, com paisagens de tirar o fôlego e sim, mesmo com tempo nublado e sem neve (e lá vai a wish list ter mais um acréscimo para retorno no inverno). Falta eficiência no posto de imigração para a saída do Chile e entrada na Argentina, mas a volta conseguiu ser muito pior. Saímos de Mendoza à noite e paramos na imigração de madrugada, por mais de duas horas, em um frio insuportável. A bagagem passa uma por uma no raio x e os cães ficam rodeando o tempo todo. Uma maluca com um bebê não desceu do ônibus e atrasou tudo, justamente porque o labrador encontrou vários pacotes de cigarro na mala dela e ela ficou se fingindo de morta lá em cima. Babado! Os agentes estavam irritadíssimos e os demais passageiros idem. Com razão.

Na chegada em Mendoza, troquei cem dólares e me senti rica. Tudo é infinitamente mais barato lá em comparação aos preços carérrimos do Chile. Deixamos as malas e com a fome de cem mendigos, fomos à caça na Av Aristides Villanueva, que tem de uma ponta à outra, milhões de escolhas gastronômicas, ficamos no El Club de la Milanesa, com direito à deliciosa cerveja Patagônia. Passei uma hora do fim da tarde no Parque General San Martin e perambulando pela lindas ruas da cidade que tem um tempo mais devagar do mundo. No dia seguinte, seguimos a recomendação do simpatíssimo dono do hotel, e seguimos para as vinícolas menores e pouco famosas: Camillo Pacci e Lagarde (adorei os pro secos) e almoçamos maravilhosamente bem no Cava de Cano. Tudo de busão e em baixíssimo custo operacional. Rolou gelato no fim da tarde e parada na Plaza España (cheia de alusões à região de Andalucia).

Chegamos em Santiago muito cedo e muito cansados da viagem, nos rendemos ao taxi e a algumas horinhas de sono, descemos à tempo de um café no starbucks antes da linda cerimônia de troca da guarda no Palácio La Moneda. Voltamos correndo, pegamos as mochilas e enfim rumo ao aeroporto para pegar o vôo pra Calama, a porta de chegada do Atacama. Feliz demais por fazer essa viagem nos dezoito anos do meu filhote!

 

A empresa que faz a viagem Santiago x Mendoza x Santiago é a Cata Internacional.

Ficamos hospedados do Hotel Mallorca,  um casarão que nos faz mergulhar no tempo, através do seu mobiliário e azulejos hidráulicos. O cheiro de baunilha me encantou. O pátio interno merece uma tarde de papo ou um bom livro. Porém o que me levou a avaliar em cinco estrelas foi o atendimento,  simplesmente fantástico!!!!! É como ser recebida por um velho amigo!!!! A localização também é perfeita, bem pertinho do Parque San Martin e a algumas quadras do centro. Tem restaurantes e comércio nas proximidades, mesmo ficando em uma área residencial.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atacama

Como disse, cada viagem é uma viagem, ainda que para o mesmo destino. Os dias em San Pedro foram mais curtos, porque o plus foi mesmo o tour de quatro dias para o Salar de Uyuni que mereceu post prório (clique aqui).

Dessa vez, ficamos hospedados no Don Raul, infinitamente mais bem localizado e mais confortável que a hospedagem de 2012. Infelizmente não consegui fazer os tours com o Felipe, porque minha amiga que chegou uns dias antes enquanto eu estava em Mendonza, já tinha fechado o pacote com outra agência, mas fica claro que a estrutura é a mesma. Repeti alguns passeios como os Geisers del Tatio, Machuca, Laguna Cejar, Ojos de Salar e Laguna Tebinquiche e consegui fazer o inédito tour às Termas de Puritama, que foi uma espetacular surpresa, porque aquelas piscinas térmicas no meio do deserto são mágicas!!!  

Para ver as dicas de 2012 clique aqui, mas no álbum estão as fotos dessa trip.

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Povoado Machuca

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